January 30, 2008 at 8:02 pm · Filed under Uncategorized
A escolha da fonte foi feita rapidamente, mas com muito cuidado, pois como já disse, estou um pouco assustado com o prazo de entrega do trabalho. Procurei no livro Elementos do Estilo Tipográfico, de Bringhurst (2005), informações sobre fontes serifadas normalmente utilizadas em livros e selecionei algumas pelo desenho e pelo histórico. Cheguei na seguinte lista:
Albertina, Bell, Carmina, Deepdene, Kennerley, Kis, Poetica, Rialto, Spectrum, Trinité, Trump mediäval.
Tentei obtê-las, com alguns amigos, e consegui a Bell, a Deepdene, a Kennerley, a Kis, a Poetica, a Spectrum e a Trump. Em seguida, fui realizando testes rápidos e eliminando as que não tinham como ser utilizadas. Uma delas era a Deepdene, minha favorita, mas como foi feita para a língua inglesa não tem acentuação. Assim, acabei chegando à Spectrum MT. Ela parecia ser a mais econômica e delicada de todas. Alguns fatores me levaram a selecioná-la: a possibilidade de utilizar versalete e caracteres numéricos oldstyle. Não utilizarei negrito. Neste trabalho, acho melhor o itálico, que está presente nessa família tipográfica.
Em relação à mancha de texto, Hendel (2003), diz que 65 caracteres é a média por linha recomendada para livros. Baseado nisso, criei uma caixa de texto com largura de 10cm, com a Spectrum Regular no corpo 10.6. O desenho do tipo tem uma altura-x bem pequena, então foi necessário aumentar o corpo ou o texto ficaria um pouco cansativo. Fiz um teste com o corpo 11.5, que gostei muito, e acredito que esse será o tamanho utilizado.
January 30, 2008 at 6:23 pm · Filed under Uncategorized
Desde o início, decidi que iria seguir a linha que, para mim, mais respeitaria a idéia das obras. Não me propus a fazer uma versão pós-moderna ou um projeto cheio de aplicações especiais, dobraduras, etc. Se tivesse uma relação forte com o conceito, tudo bem, mas não acho que seja esse o caso. Pensei em usar um papel um pouco amarelado, pois acho mais agradável à leitura. O papel branco reflete muito a luz. Assim, escolhi para o miolo o papel Pólen da Suzanno, de gramatura 80g.Estou pensando em aplicar cor na borda das páginas, o que dá um resultado bonito. Segundo Haslam (2006), esse efeito pode ser executado industrialmente por colagem de alúme e aplicação de anilina.
January 30, 2008 at 6:11 pm · Filed under Uncategorized
Ainda não tinha idéia do formato dos livros. Vários autores ajudam a chegar numa definição, mas decidi me inspirar também em formatos de livros que gosto. Um que acho ótimo é o do redesign feito por Chip Kidd para a série em quadrinhos Sin City, de Frank Miller, que ganhei há um tempo. As dimensões deixam a graphic novel mais comprida, o que achei interessante para o livro, Mas não sei se isso vai deixar a mancha gráfica muito estreita, prejudicando um pouco a leitura ou o trabalho posterior de escolha de fonte/corpo/entrelinha, já que imagino um livro com margens generosas.Achei que uma medida razoável seria aproximadamente entre 15 e 16 centímetros de largura por mais ou menos 24 de altura. Então, procurei um formato semelhante, mas com melhor aproveitamento de papel. Encontrei o formato 15cmx23cm e vou executar o projeto a partir dele.
January 30, 2008 at 6:03 pm · Filed under Uncategorized

Eu já havia definido o traço, o padrão de cor e a abordagem das ilustrações para cada livro. É hora de criá-las. Decidi que iria utilizar o primeiro capítulo de cada livro para diagramar e ilustrar, como forma de demonstrar a implementação do projeto gráfico. Reli os textos, tentando sintetizar os capítulos em um rascunho, palavra ou personagem.Em Cem Anos de Solidão, o primeiro capítulo conta a chegada do cigano Melquíades, personagem que altera toda a rotina de Macondo, dando início à história. Seguindo a direção definida anteriormente, quis representar as personagens desse livro através de vultos, silhuetas. Tentei retratar Melquíades com a mesma grandeza que ele tem na história, mas nos primeiros rascunhos, ele era visto de frente.No Romance d’A Pedra do Reino, é bem difícil definir. Como os capítulos na realidade são folhetos de poucas páginas, teria que representar vários deles, os quais tratam de assuntos diferentes, em uma só ilustração. Penso em uma composição com três ou mais personagens e a Pedra do Reino de fundo, para representar tudo. Pat sugeriu fragmentar a imagem em quatro, para diversificar os enquadramentos. Vou fazer alguns testes, mas até agora está difícil de definir.O Som e a Fúria é o mais fácil, pois um dos rascunhos que fiz anteriormente define o primeiro capítulo, que é narrado por Benjamin. O que penso em fazer é apenas intensificar o sofrimento da personagem no desenho, deixando o resto para as cores e texturas. Tinha definido no gráfico do post 8 que ia tentar retratar as ilustrações desse livro a partir da perspectiva visual de Benjamim, mas achei que iria acabar parecendo aqueles jogos de videogame em primeira pessoa e decidi que a melhor maneira de representar a idéia inicial era aproximando a “câmera” das personagens. Talvez as demais ilustrações não sejam “close ups” como nesta primeira, mas como tenho que retratar todo o sofrimento de Ben, achei que seria a melhor escolha.Bom, o passo seguinte é realizar o tratamento final no Photoshop, com texturas ou não. Vou deixar as ilustrações um pouco de lado para tomar essas decisões quando o projeto estiver mais adiantado.
December 18, 2007 at 12:06 pm · Filed under Uncategorized
Após o início dos estudos das capas, tirei uma pausa dos posts para me dedicar mais ainda ao trabalho. O tempo estava ficando curto e no momento era mais importante ter os livros finalizados, impressos e encadernados. Além disso, a ferramenta de comentários do blog estava com problemas e por isso eu não estava tendo o feedback dos leitores na quantidade que imaginava.
A data de entrega está chegando. Estou ficando nervoso por este ser um projeto pessoal e acabo perdendo tempo em coisas que já deveriam estar finalizadas. No momento, estou tendo que reestruturar minha estratégia de trabalho para render mais nesta situação.
Minha cabeça funciona assim: muitas vezes quando faço um layout ou um desenho e acho que está tudo perfeito, é melhor deixar de lado um tempo e ver minha impressão dias depois. Outra coisa que descobri é que não consigo trabalhar muito tempo num projeto sem ter a possiblidade de mudar tudo se achar conveniente. Assim, este trabalho é um desafio no sentido de manter o espírito inicial do projeto durante mais ou menos quatro meses, o que para mim é algo quase impossível. É provável que eu realize algumas mudanças até o último minuto.
December 13, 2007 at 4:20 pm · Filed under Uncategorized

Nas capas, eu sempre quis transmitir a continuidade da coleção. Assim, criei um grafismo que seria rebatido em todas elas, com poucas alterações de uma obra para a outra. O desenho baseado nas pequenas árvores em vetor que fiz no início do projeto varia de acordo com a “estação”. No Romance d’A Pedra do Reino, são apenas galhos secos. Cem Anos de Solidão é a primavera do projeto, cheio de folhas e vida, e O Som e a Fúria é o outono, com cores dessaturadas e folhas caindo.
No título da obra, utilizarei mesmo a Rosewood Fill e no nome do autor, a Helvetica. Fiz alguns grafismos já apresentados em posts anteriores, que são uma soma de borda de selos, com um pouco das molduras de Ariano sintetizadas. O que para mim é uma evolução do projeto que fiz para o Núcleo Ariano Suassuna de Estudos Brasileiros da UFPE.

Ainda não sei se trabalho com três selos diferentes para os livros e deixo a integração das capas para as cores e os desenhos, ou se defino a unidade das obras apenas pelos grafismos, layout e escolha da tipografia. Vou deixar essas decisões para mais tarde. O que sei é que os livros não serão em capa-dura, por esse tipo de acabamento não ter relação com o despojamento que visualizo para este projeto.
December 12, 2007 at 10:27 pm · Filed under Uncategorized

Nada demais. Vou procurar trabalhar também com algumas fotos e texturas que funcionam no projeto.
Pat me emprestou um livro ótimo do Museu do Oratório. Era o que faltava para fechar o conceito de algumas ilustrações. Dei uma parada nos desenhos, pois a tendinite está atacando. Logo mais volto com material novo.
December 11, 2007 at 3:45 pm · Filed under Uncategorized

Bem no início do projeto, enquanto ainda estava lendo o Romance d´A Pedra do Reino, tirei um tempo para desenhar e ver quais seriam as idéias que iriam surgir. Vieram os primeiros rascunhos e depois de um tempo comecei a traçar tudo de uma maneira muito parecida: personagens compridos, linhas longas, poses quase estáticas. Daí, como naquele tempo ainda era só Ariano e eu - sem Faulkner nem García Márquez - pensei em criar ilustrações inspiradas em imagens sacras, principalmente depois de ver como Quaderna descreve certas personagens, como o rapaz do cavalo branco. Nessa época, havia acabado de ser exibida a minissérie A Pedra do Reino, da TV Globo, que acabei não podendo assistir toda. Ainda assim, notei como era representado o tal rapaz, quase um Jesus Cristo. Achei bem interessante o trabalho e acabei comprando os cadernos de produção da série. Nele existem várias idéias. Algumas até funcionariam bem neste projeto, mas estou tentando evitá-las, pois não quero adaptar a minissérie e sim o romance. Em todo caso, uma das fotos do livro mostra a preparação dos atores e a utilização de máscaras no processo de construção das personagens. Achei que poderia fazer algo semelhante estabelecendo arquétipos, criando os rostos como se fossem máscaras e mantendo os corpos bem parecidos, como no teatro grego e o noh. Deixei a idéia de lado por um tempo, mas finalmente resolvi utilizá-la. Sendo assim, o formato do rosto dos Aurelianos será o mesmo do de Sinésio e do de Quentin, segundo pequenas semelhanças que percebi entre eles. Bem como entre Jason e Arésio, Benji e Silvestre.
Pequenas alterações serão realizadas, como mudança de roupa, cabelo, bigode, barba. Mas a estrutura será a mesma. Além disso, conto com as cores e o tratamento final das ilustrações para diferenciar o contexto em que se encontram as personagens. As imagens não serão claramente máscaras como eu havia cogitado antes, mas alguns pequenos detalhes ainda ficam, como a ausência do globo ocular. Desenhei os olhos como se fossem profundos. Como fendas de uma máscara. As bocas abertas também representam um pouco disso.
December 11, 2007 at 3:40 pm · Filed under Uncategorized

Como uso bastante vetor, costumo variar entre rabiscos e blocos chapados de cor. Muita gente gostou do rascunho do menino (post 13). Mas estou preferindo trabalhar sem utilizar linhas, como no desenho animado Samurai Jack, que com certeza foi referência para este projeto. Desta vez, quero criar desenhos com cores, e não com linhas como normalmente faço. Estou tentando fugir um pouco do meu modus operandi e isso é um pouco difícil, mas acho que conseguirei realizar um trabalho legal. É possível que eu utilize um traço mais experimental, mais natural, combinado com cores chapadas, mas sem a precisão destes desenhos, que estão muito com “cara de vetor”.
December 11, 2007 at 3:04 pm · Filed under Uncategorized

A escolha do tipo para o corpo do texto não foi 100% definida, mas para títulos, subtítulos, notas de rodapé e até título de capa já existem alguns favoritos. Como já disse antes, a Rosewood Fill é bem fácil de trabalhar, tendo apenas problemas com alguns kernings de palavras em português, mas de ajuste muito simples. Para combinar com uma slab serif, fui procurar tipos um pouco mais neutros. Acabei escolhendo uma sem serifa e uma serifada bem discreta.
A Helvetica, que todos conhecem, é bastante utilizada desde sua criação. Existe inclusive um documentário bem badalado sobre ela. Estou utilizando a versão Neue, um redesign muito bem trabalhado e com várias opções de peso e largura. É a fina flor da neutralidade na tipografia. A serifada se chama Zapf Elit e eu nunca tinha ouvido falar dela antes. Encontrei por acaso na minha lista de fontes. Ficou legal e tem o carimbo Herman Zapf de qualidade. Não há o que questionar! Pode ser que tudo mude até o final, mas por enquanto fica assim.
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