A ilustração de Melquíades, de Cem Anos de Solidão, está praticamente terminada. Acrescentei e detalhei mais casas, pois os desenhos anteriores estavam simples demais. Coloquei a personagem trazendo a primeira grande novidade da história, que no capítulo é retratada como uma invenção fantástica, quase mágica. Algo muito presente no início desse livro é alquimia, que para mim é uma mistura de ciência e mágica. Então representei as características fantásticas do objeto, retratando-o como uma varinha, e utilizei as texturas e cores para intensificar o aspecto de magia. Além disso, no livro há um clima de humor e exagero que tentei demonstrar nos objetos que acompanham Melquíades, atraídos pela força do imã.
Na ilustração de O Som e a Fúria, decidi voltar atrás e utilizar aquele primeiro desenho que fiz de Ben. Por alguma razão, os que fiz naquele dia parecem bem melhores dos que os mais recentes. Assim, resolvi ajustá-lo para ser usado num tamanho maior. Utilizei também a composição de capa onde aparecem as casas da cidade de Jefferson, no condado de Yoknapatawpha. O que me levou a decidir entre utilizá-la na capa ou na abertura de capítulo, algo que explico já.
Antes tenho que contar como foi a odisséia da ilustração do Romance d’A Pedra do Reino. De fato, foram criadas no computador quatro ilustrações diferentes. A primeira tinha Sinésio em primeiro plano, Arésio e Quaderna ao fundo. Tudo em Arésio é agressivo e pontiagudo, avançando na direção de Sinésio. Quaderna fica ao fundo, como mero observador da disputa entre os irmãos, com a Pedra do Reino aparecendo ao fundo. Em seguida, experimentei a ilustração fragmentada em quatro partes: Sinésio, o Alumioso; Arésio e sua ira; Quaderna e sua devoção pela Pedra do Reino; e a própria Pedra, que aparece no último quadro. Achei demais dividir tão pouco espaço em quatro. Então decidi representar o antagonismo de Arésio e Sinésio, o que também não funcionou. Tentei ainda sintetizar tudo na figura de Quaderna, representando seu rosto de perfil. Mas ia ficar parecido demais com a ilustração de O Som e a Fúria. Finalmente, pensei em mostrar a devoção dele pela Pedra do Reino de outra forma.
Como estava usando efeitos de Photoshop para demonstrar o fantástico em Cem Anos de Solidão, decidi mostrar que o fantástico aqui era a paixão e a lembrança de Quaderna sobre as histórias da Pedra e de seus antepassados. Assim, acabei usando as cores que havia determinado, basicamente vermelho, amarelo e preto. Desenhei Quaderna tocando a pedra, já pensando no efeito do Photoshop e acrescentei uma textura de algodão cru, tecido que peguei emprestado, para ver se funcionava bem. Ficou ótimo. Decidi então substituir pelo algodão toda a textura de madeira, que estava usando até na capa, mas não estava gostando tanto. Além disso, decidi representar a magia de outra forma que não somente através da cor. Então, fiz grafismos de formas simples e rústicas. Gostei tanto que imediatamente adaptei para as ilustrações das outras obras.Tudo terminado, achei o resultado das texturas com o grafismo tão legal que repensei as capas utilizando as cores da primeira ilustração de cada livro. Assim, o que mantém a unidade das capas é a tipografia e o layout. Apesar disso, cada livro encontra sua individualidade nas cores e disposição dos grafismos.
