Archive for December, 2007
December 18, 2007 at 12:06 pm · Filed under Uncategorized
Após o início dos estudos das capas, tirei uma pausa dos posts para me dedicar mais ainda ao trabalho. O tempo estava ficando curto e no momento era mais importante ter os livros finalizados, impressos e encadernados. Além disso, a ferramenta de comentários do blog estava com problemas e por isso eu não estava tendo o feedback dos leitores na quantidade que imaginava.
A data de entrega está chegando. Estou ficando nervoso por este ser um projeto pessoal e acabo perdendo tempo em coisas que já deveriam estar finalizadas. No momento, estou tendo que reestruturar minha estratégia de trabalho para render mais nesta situação.
Minha cabeça funciona assim: muitas vezes quando faço um layout ou um desenho e acho que está tudo perfeito, é melhor deixar de lado um tempo e ver minha impressão dias depois. Outra coisa que descobri é que não consigo trabalhar muito tempo num projeto sem ter a possiblidade de mudar tudo se achar conveniente. Assim, este trabalho é um desafio no sentido de manter o espírito inicial do projeto durante mais ou menos quatro meses, o que para mim é algo quase impossível. É provável que eu realize algumas mudanças até o último minuto.
December 13, 2007 at 4:20 pm · Filed under Uncategorized

Nas capas, eu sempre quis transmitir a continuidade da coleção. Assim, criei um grafismo que seria rebatido em todas elas, com poucas alterações de uma obra para a outra. O desenho baseado nas pequenas árvores em vetor que fiz no início do projeto varia de acordo com a “estação”. No Romance d’A Pedra do Reino, são apenas galhos secos. Cem Anos de Solidão é a primavera do projeto, cheio de folhas e vida, e O Som e a Fúria é o outono, com cores dessaturadas e folhas caindo.
No título da obra, utilizarei mesmo a Rosewood Fill e no nome do autor, a Helvetica. Fiz alguns grafismos já apresentados em posts anteriores, que são uma soma de borda de selos, com um pouco das molduras de Ariano sintetizadas. O que para mim é uma evolução do projeto que fiz para o Núcleo Ariano Suassuna de Estudos Brasileiros da UFPE.

Ainda não sei se trabalho com três selos diferentes para os livros e deixo a integração das capas para as cores e os desenhos, ou se defino a unidade das obras apenas pelos grafismos, layout e escolha da tipografia. Vou deixar essas decisões para mais tarde. O que sei é que os livros não serão em capa-dura, por esse tipo de acabamento não ter relação com o despojamento que visualizo para este projeto.
December 12, 2007 at 10:27 pm · Filed under Uncategorized

Nada demais. Vou procurar trabalhar também com algumas fotos e texturas que funcionam no projeto.
Pat me emprestou um livro ótimo do Museu do Oratório. Era o que faltava para fechar o conceito de algumas ilustrações. Dei uma parada nos desenhos, pois a tendinite está atacando. Logo mais volto com material novo.
December 11, 2007 at 3:45 pm · Filed under Uncategorized

Bem no início do projeto, enquanto ainda estava lendo o Romance d´A Pedra do Reino, tirei um tempo para desenhar e ver quais seriam as idéias que iriam surgir. Vieram os primeiros rascunhos e depois de um tempo comecei a traçar tudo de uma maneira muito parecida: personagens compridos, linhas longas, poses quase estáticas. Daí, como naquele tempo ainda era só Ariano e eu - sem Faulkner nem García Márquez - pensei em criar ilustrações inspiradas em imagens sacras, principalmente depois de ver como Quaderna descreve certas personagens, como o rapaz do cavalo branco. Nessa época, havia acabado de ser exibida a minissérie A Pedra do Reino, da TV Globo, que acabei não podendo assistir toda. Ainda assim, notei como era representado o tal rapaz, quase um Jesus Cristo. Achei bem interessante o trabalho e acabei comprando os cadernos de produção da série. Nele existem várias idéias. Algumas até funcionariam bem neste projeto, mas estou tentando evitá-las, pois não quero adaptar a minissérie e sim o romance. Em todo caso, uma das fotos do livro mostra a preparação dos atores e a utilização de máscaras no processo de construção das personagens. Achei que poderia fazer algo semelhante estabelecendo arquétipos, criando os rostos como se fossem máscaras e mantendo os corpos bem parecidos, como no teatro grego e o noh. Deixei a idéia de lado por um tempo, mas finalmente resolvi utilizá-la. Sendo assim, o formato do rosto dos Aurelianos será o mesmo do de Sinésio e do de Quentin, segundo pequenas semelhanças que percebi entre eles. Bem como entre Jason e Arésio, Benji e Silvestre.
Pequenas alterações serão realizadas, como mudança de roupa, cabelo, bigode, barba. Mas a estrutura será a mesma. Além disso, conto com as cores e o tratamento final das ilustrações para diferenciar o contexto em que se encontram as personagens. As imagens não serão claramente máscaras como eu havia cogitado antes, mas alguns pequenos detalhes ainda ficam, como a ausência do globo ocular. Desenhei os olhos como se fossem profundos. Como fendas de uma máscara. As bocas abertas também representam um pouco disso.
December 11, 2007 at 3:40 pm · Filed under Uncategorized

Como uso bastante vetor, costumo variar entre rabiscos e blocos chapados de cor. Muita gente gostou do rascunho do menino (post 13). Mas estou preferindo trabalhar sem utilizar linhas, como no desenho animado Samurai Jack, que com certeza foi referência para este projeto. Desta vez, quero criar desenhos com cores, e não com linhas como normalmente faço. Estou tentando fugir um pouco do meu modus operandi e isso é um pouco difícil, mas acho que conseguirei realizar um trabalho legal. É possível que eu utilize um traço mais experimental, mais natural, combinado com cores chapadas, mas sem a precisão destes desenhos, que estão muito com “cara de vetor”.
December 11, 2007 at 3:04 pm · Filed under Uncategorized

A escolha do tipo para o corpo do texto não foi 100% definida, mas para títulos, subtítulos, notas de rodapé e até título de capa já existem alguns favoritos. Como já disse antes, a Rosewood Fill é bem fácil de trabalhar, tendo apenas problemas com alguns kernings de palavras em português, mas de ajuste muito simples. Para combinar com uma slab serif, fui procurar tipos um pouco mais neutros. Acabei escolhendo uma sem serifa e uma serifada bem discreta.
A Helvetica, que todos conhecem, é bastante utilizada desde sua criação. Existe inclusive um documentário bem badalado sobre ela. Estou utilizando a versão Neue, um redesign muito bem trabalhado e com várias opções de peso e largura. É a fina flor da neutralidade na tipografia. A serifada se chama Zapf Elit e eu nunca tinha ouvido falar dela antes. Encontrei por acaso na minha lista de fontes. Ficou legal e tem o carimbo Herman Zapf de qualidade. Não há o que questionar! Pode ser que tudo mude até o final, mas por enquanto fica assim.
December 10, 2007 at 5:07 pm · Filed under Uncategorized

Tenho usado muito a minha tablet - já que estou sem scanner - para desenvolver uma série de rascunhos digitais. Trabalho muito bem com vetor. Acho que depois de um tempo desenhar assim se torna muito natural, quase como se você estivesse usando um lápis mesmo. O único problema com o computador é que acabo tendo possibilidades demais e algumas vezes fico perdido. É possível fazer umas 20 versões do mesmo desenho só alterando cor, passando para o Photoshop, aplicando filtros e “traceando” novamente, por exemplo.

Talvez por isso, muitos designers recomendem iniciar o trabalho a lápis e papel. Não porque seja mais rápido, como diz Wollner no DVD do livro Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno no Brasil. Mas porque, no computador, as possibilidades são tantas que é necessário um bom senso muito maior. A edição é bem mais difícil e é fácil para um designer em formação ficar perdido entre tantos efeitos gráficos. Durante um tempo, no início do curso de design, desisti um pouco desses recursos, mas nunca do computador. Gosto de desenhar à mão, embora tenha mais precisão e rapidez usando a tablet. Hoje prefiro trabalhar inicialmente com o preto e branco chapado e, funcionando tudo bem, passo para as cores e os efeitos. Um pouco desse raciocínio veio por ser fã de quadrinhos e mais ainda dos mestres do estilo P&B, como Mike Mignola, Frank Miller e Eduardo Risso.
Os desenhos deste post são variações dos primeiros rascunhos, unindo alguns elementos, criando algumas imagens meio surreais apenas para efeito experimental. Numa das entrevistas do departamento de arte da Pixar, Teddy Newton comenta que, num filme, muito pouco de todo o trabalho realizado por ele é realmente utilizado no longa-metragem. Entretanto, os desenhos e as idéias colocados na mesa acabam ajudando outros diretores de arte a encontrarem as soluções que realmente funcionarão no filme. É mais ou menos assim que está acontecendo aqui.
December 10, 2007 at 4:54 pm · Filed under Uncategorized

Mencionei o color script no post 8. É um roteiro de cores que a Pixar utiliza durante todo o processo de execução de um longa de animação, para estabelecer a emoção das cenas através do cromatismo. Muito bom! Provavelmente todo filme deve utilizar um quadro esquemático assim. Mas se me lembro bem, foi Ralph Eggleston, diretor de arte desse estúdio de animação, quem popularizou o color script.
Tendo definido a ordem dos livros na coleção e encarando as três histórias próximas de um encadeamento linear, chegou o momento de criar uma paleta de cores básica para cada um, fazendo pequenas variações de acordo com o clima da cena tratada na ilustração.
No Romance d’A Pedra do Reino, a paleta de cores será simples, mas muito saturada, para demonstrar a aridez do cenário e o maniqueísmo da história. Serão basicamente utilizados tons em vermelho e preto, mas haverá também bastante azul, pois essas cores são extremamente importantes na iconografia do livro. Elas representam tanto características de alguns personagens, quanto eventos como a Cavalgada, sendo muito presentes na história e exercendo até mesmo uma função simbólica.
Em Cem Anos de Solidão, utilizarei como cor base um verde tendendo para o azul, junto a uma gama de cores bem vasta, tudo muito misturado. Nada tão saturado como no Romance d’A Pedra do Reino, mas bastante colorido. Enquanto no livro de Ariano as cores bases serão mais extremas (C=100% M=100%, Y=100%, K=100%), no de García Márquez haverá variações como C=60% Y=20% ou C=30% Y=70%. Representar o crescimento de Macondo pela proliferação de cores é o quer pretendo fazer. No início do livro, o clima é mais calmo, mas cheio de descobertas na vida de José Arcadio Buendía, personagem importante do primeiro capítulo. Quero usar nessa fase cores mais puras, mas não tão carregadas quanto no Romance d’A Pedra do Reino. Ao longo do livro, as cores vão surgindo, se misturando para criar novos tons e gradativamente perdendo a saturação até o final.
Já em O Som e a Fúria serão utilizadas cores com pouca ou nenhuma saturação, com variações entre os quatro capítulos, mas puxando sempre para uma paleta entre o cinza e o amarelo. Utilizei algumas referências para esse livro, já que para mim era o que de fato precisava de uma pesquisa histórica mais detalhada. Assim, fui buscar em filmes, revistas e jornais algumas informações sobre a época em que se desenrolou a história e sobre quando o livro foi lançado. Encontrei filmes que se passavam durante a Depressão, no Sul dos Estados Unidos, como E aí, Meu Irmão, Cadê Você?, dos irmãos Coen; À Espera de um Milagre, de Frank Darabont; e a série de tv Carnivàle, da HBO, que tem uma direção de arte absurdamente linda. Além dessas, busquei referências em outros filmes ambientados em épocas diferentes, mas ainda assim histórias sulistas, como Capote, de Bennett Miller, que tem uma paleta de cores muito próxima da que pretendo utilizar. Encontrei, ainda, nas bancas, a revista Cadernos entre Livros, da editora Duetto. A edição No 3 dessa revista é dedicada ao panorama da literatura americana, explicando vida e obra de muitos autores como John Steinbeck, Ernest Hemingway e, claro, William Faulkner. A matéria fala muito da carreira do autor e de como suas primeiras publicações foram fracasso de público e crítica. Também trata um pouco sobre O Som e a Fúria. Descobri que uma adaptação do livro foi produzida para o cinema em 1959, mas não consegui encontrá-la em locadoras, nem baixá-la na internet. Felizmente tenho acesso aos filmes citados acima, os quais provavelmente serão bem mais úteis em relação à fotografia (cores).
December 10, 2007 at 2:14 pm · Filed under Uncategorized

Continuando na “vibe” dos gráficos, iniciada no post 8, tive que definir uma ordem de apresentação dos livros. Provavelmente serão colocados num box, ou algo do tipo, com as capas se integrando graficamente. Acho que os livros não seguem uma seqüência, com um terminando exatamente onde o outro começou. O que acontece aqui são algumas interseções. Cem Anos de Solidão, onde tudo é possível, partilha do clima fantasioso do livro de Ariano. Já em relação a O Som e a Fúria, divide com ele uma atmosfera de desencanto e decadência.
December 5, 2007 at 10:42 am · Filed under Uncategorized

Minha idéia é separar bem as ilustrações da tipografia. Como tenho essa “maldição” de ilustrador, sempre que inicio um projeto, penso na tipografia completamente integrada à ilustração. Aí acabo fazendo o lettering ou dando pouca atenção ao texto. Neste projeto, o texto vem em primeiro lugar, mas também quero fazer boas ilustrações. O jeito é trabalhar mais ou menos separado. Encontrei uma fonte que vai funcionar bem para uns testes. O nome é Rosewood Fill. Peguei no Mac do meu irmão, mas parece que não tem para PC. Talvez exista uma forma de adaptá-la, mas não sei se a fonte fica perfeita após a conversão…
Enfim, a imagem acima é dos primeiros rascunhos, tentando ainda encontrar um traço para o projeto. Talvez eu me baseie no desenho da árvore do post anterior, bem “vetorzão” mesmo.
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