inicio mail me! sindicaci;ón

Archive for Ilustração

post 7 - Processo I

Quando você faz um projeto gráfico de algo que gosta muito, várias idéias vão surgindo, antes mesmo do objeto de estudo ser visto com clareza. Durante um bom tempo, enquanto estava lendo os livros, este projeto ficou um pouco na área das possibilidades. A maioria das idéias se resumia a grafismos e cores que podiam ou não ter relação com o projeto. Acho que quando você é um profissional com pouco tempo de experiência pode ficar empolgado com algumas tendências do design gráfico. E nessas condições é muito fácil ceder às mais diversas influências, realizando um projeto lindo, cheio de estilo, mas com grafismos inexplicáveis e conceito frágil. Lógico que quero fazer os livros com cara de novos, como se tivessem sido lançados agora. Mas também não quero um projeto vazio, com idéias e grafismos que não são meus. Em um dos meus estágios, ficávamos uma, até duas horas sem tocar no computador, só pensando e rabiscando o projeto no papel, tentando achar o conceito. Em outro, fazíamos associações de palavras para encontrá-lo. Estou tentando os dois caminhos. O tempo está curto. Acho que quatro meses é muito pouco para quem quer fazer um trabalho mais ambicioso.

Para realizar este projeto, precisei de um tempão pensando. É uma coisa que vai ter o meu nome e me acompanhar pelo resto da vida! Se você faz um trabalho ruim, num escritório ou como free-lancer, pode até não assinar o trabalho. Mas vai dizer isso pra sua banca! Não dá, né?

post 4 - Ariano!

ariano, solange e eu

Sexta-feira (12/10/07) conheci Ariano. Fui à aula-espetáculo proferida por ele no Teatro da UFPE. Há mais de um ano fiz o projeto gráfico dessas aulas, mas nunca tinha assistido a uma. Dessa vez, Dani de Lacerda, minha amiga que trabalha na Secretaria de Cultura com Ariano, me prometeu arranjar um momento com o mestre.

Assistimos ao espetáculo, foi ótimo. Depois fomos apresentados a Ariano, com a ajuda de Dani, Solange e Adriana Victor. Mais tarde, fomos à exposição Olaria Ocre, da fotógrafa Roberta Guimarães e dos artistas plásticos Joelson Gomes e Dantas Suassuna, este último, filho de Ariano. Foi um dia realmente muito bom. Sou fã do trabalho de Dantas e vou ver se consigo trazer alguma referência visual do trabalho dele a essa mistura que será o meu projeto. Ao lado, detalhes de alguns dos painéis criados por Dantas para a aula-espetáculo de Ariano, chamada Nau.

super5-copy.jpg

post 3 - Coincidências

Sabe quando, de repente, acontece algo que mais parece um sinal?

Minutos atrás, peguei um exemplar antigo da revista Superinteressante, comecei a folhear para me distrair e encontrei um poster com um infográfico de Cem anos de Solidão! Essa revista estava na minha pasta há meses! Comprei por causa de uma matéria sobre Auschwitz, pois adoro ler sobre a Segunda Guerra. Na capa não há nenhuma referência sobre o livro, mas acabei descobrindo que a publicação está completando 40 anos. Ótimo! Só falta O Som e a Fúria estar fazendo um aniversário redondinho também, mas a publicação foi lançada em 1929…

superinteressante
P.S. Acabei de ver no Wikipedia que se Faulkner estivesse vivo, estaria completando 110 anos! Não é um bom sinal?

post 2 - Sobre o projeto

9.jpg

Durante dois períodos da faculdade, por influência de um trabalho que estava fazendo em um estágio, tive como possível projeto de conclusão a criação de um sistema informacional para transportes coletivos no Grande Recife. Investiguei bastante sobre o assunto, mas acabei não evoluindo na pesquisa. Faltando 15 dias para o término do prazo de entrega do pré-projeto, vi que não daria tempo de conclui-lo e decidi mudar tudo. Pedi a Yana Parente, minha amiga de faculdade, que me enviasse seu memorial descritivo, pois seu projeto de conclusão havia sido muito elogiado e, inclusive, premiado. Quem sabe lendo um pouco sobre um trabalho bem sucedido não encontraria ajuda para a mudança de planos?

O projeto de Yana, além muito bonito, muito bem conceituado, era muito bem escrito. Acredito que foi o projeto de graduação de que mais gostei de ler. Muito diferente de outros, ele funcionava realmente como memorial descritivo e ajudava a entender o projeto e o processo de design. Decidi então que iria fazer algo na mesma linha, já que minha intenção desde o início era a de realizar um trabalho projetual e não teórico. Definida a forma de registrá-lo, faltava agora encontrar o novo tema.

Estagiei no Bureau de Design da Pró-Reitoria de Extensão da UFPE e durante esse período fiquei encarregado do projeto de comemoração dos 80 anos de Ariano Suassuna. Como também fazia um outro estágio e ainda cursava a faculdade, não sobrava muito tempo para estudar sobre Ariano e sobre o movimento Armorial. Tudo o que eu tinha eram fotos de internet, algumas noções do estilo gráfico (lembrem que isso foi antes de todas as comemorações, programas e documentários sobre Ariano) e pouquíssimo tempo pra executar o projeto. Realizei um trabalho que considero bem feito e que funcionou para a divulgação dos eventos. Mas ainda acho que o estilo das ilustrações estava um pouco inadequado. Por isso, de última hora, decidi produzir uma série de ilustrações armoriais para o projeto gráfico de um de seus livros, como uma forma de me redimir com Ariano.

Mais adiante, defini que iria realizar um projeto gráfico para o Romance d’A Pedra do Reino. Na época, tinha acabado de fazer um workshop com Renato Alarcão sobre diários gráficos e estava bem empolgado para fazer algumas ilustrações mais experimentais. Como o próprio Ariano valoriza bastante o uso da imagem em sua obra, seria o projeto perfeito. Comprei a coleção lançada pela editora Globo sobre a minissérie A Pedra do Reino e uma biografia de Ariano4, escrita por Bráulio Tavares. Peguei o romance emprestado numa biblioteca e comecei a ler tudo. Encurtando um pouco a história, numa conversa com Pat - minha namorada, que também é designer - decidi ampliar o trabalho para a produção de uma pequena coleção reunindo três autores diferentes.

Um deles, Ariano, já estava bem definido. Os outros dois foram selecionados a partir de um comentário de Bráulio Tavares, onde ele associa Ariano a Gabriel García Márquez e William Faulkner, por conta de os três terem em comum a criação de cidades/cenários utópicos como pano de fundo para suas obras. Pesquisando um pouco sobre tais autores, optei por Cem Anos de Solidão, de García Márquez, e O Som e a Fúria, de Faulkner, os quais seriam trabalhados ao lado do romance de Suassuna. Troquei ainda e-mails com Schneider Carpeggiani, jornalista e crítico literário, na busca de mais uma opinião sobre a dinâmica entre os imaginários dos três autores. A resposta de Schneider foi encorajadora e, com tudo preparado, era hora de tocar o trabalho. Mandei um e-mail para minha orientadora, Solange Coutinho, pois fazia um tempo que não nos encontrávamos. Numa breve conversa, ela aprovou o novo projeto e me deu sinal verde para executá-lo.

Terminei de ler sobre Ariano, pesquisei sobre design de livros, tipografia e ilustração. Dei uma lida rápida nos assuntos mais ligados ao projeto, busquei na internet referências interessantes, investiguei um pouco sobre as possibilidades do trabalho, fiz muitas anotações e rabiscos. Numa conversa com Pat, tentei reunir e sintetizar o que deveria fazer para criar os livros e o material extra (como este blog) para ficar bem satisfeito com o resultado. Os livros são o foco principal do trabalho de conclusão, mas pretendo tirar proveito disso para realizar peças colaterais.

 

primeiro post

2.jpg

Este é o primeiro post de uma série, que irá contar o processo de criação do trabalho final da minha graduação no curso de design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Neste blog, incluirei material de áudio, vídeo, links interessantes, além de imagens e fotos de produção, tornando-o um registro mais completo de todo o processo.
A escolha pelo formato digital tem uma razão. Desde que comecei a estudar design, saí à caça de textos sobre métodos de criação e entrevistas com designers, e esse tipo de material sempre foi muito difícil de encontrar. Tive também a sorte de estagiar em vários escritórios com ótimos profissionais e acho que meu jeito de trabalhar - que ainda está em formação - é uma mistura de tudo o que vi nesses anos. Assim, acho que a melhor forma de contribuir com meu projeto é escrevendo um diário digital, onde minha experiência e as influências que recebi possam ser disponibilizadas e acessadas com facilidade. Espero que gostem.